Horizonte


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Ó mar anterior a nós, teus medos

Tinham coral e praias e árvoredos.

Desvendadas a noite e a cerração,

As tormentas passadas e o mistério,

Abria em flor o Longe, e o Sul sidério

'Splendia sobre as naus da iniciação.


Linha severa da longínqua costa -

Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta

Em árvores onde o Longe nada tinha;

Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:

E, no desembarcar, há aves, flores,

Onde era só, de longe a abstrata linha.


O sonho é ver as formas invisíveis

Da distância imprecisa, e, com sensíveis

Movimentos da esperança e da vontade,

Buscar na linha fria do horizonte

A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -

Os beijos merecidos da Verdade.



-Fernando Pessoa



De longe tudo é turvo e, principalmente, indefinido. O que é bonito, as vezes fica feio. O certo pode parecer errado. Mas só chegando perto, podemos identificar com clareza a verdadeira essência e razão de ser. Só de perto podemos nos arriscar a julgar.

Para sempre fenômeno.


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Essa semana se despediu de nós um dos maiores jogadores brasileiros, para entrar em campo um novo "embaixador" da grande marca Corinthians.
Saiu o Fenômeno Ronaldo camisa 9, entrou Ronaldo Luís Nazário de Lima. Saiu um jogador, entrou um torcedor.
Perdemos um dos grandes jogadores da hitória do futebol brasileiro, aliás da hitória do futebol corinthiano. Mas em compesação ele nos deixou grandes heranças, não só de títulos, nem só de dinheiro pelo marketing. Ronaldo deixou marcas e exemplos de superação física, mostrou que não é apenas um mestre com a bola no pé, mas também um homem corinthiano, maloqueiro e sofredor.

Ele teve uma trajetória conturbada pelo timão, sofreu com o peso e as famosas lesões. Mesmo assim, logo nos trouxe, com a ajuda de todo o time, um Paulistão invicto e a Copa do Brasil em 2009, ano de sua chegada no alvinegro. Já em 2010 começaram as complicações, foi o ano de centenário do nosso time e tinha-se traçado como objetivo a conquista da Libertadores, que não foi alcançado após a derrota contra o Flamengo. Apesar da má fase unida a despedida do técnico Mano Menezes, atualmente na seleção brasileira, o centenário teve a sua beleza com direito a festas, shows e muita alegria.
Após todas as comemorações, o time estava focado no campeonato brasileiro. Demos a volta por cima, como sempre acontece no corinthians, chegamos perto da taça, mas nos "45 do segundo tempo" o time perdeu a garra e fomos parar fora da zona classificada direto para a Libertadores.
Então, em 2011 passou-se a almejar o tão dito título. E o sonho foi mais uma vez por água abaixo, já que o time foi eliminado logo na pré-libertadores. A partir daí instaurou-se um clima de tensão tanto nos jogadores quanto na torcida, alguns torcedores ameaçaram e foram violentos, buscando culpados pela eliminação. E é lógico que dentre os culpados estava Ronaldo.
Ele não diz, mas é óbvio que esse foi um dos agravantes na decisão de se aposentar. Infelizmente por diversos problemos não teremos mais o artilheiro das copas goleando pelo nosso timão. Mas pelo menos, teremos as lembranças de um grande jogador, mundialmente conhecido e admirado, que entrou para o "bando de loucos". E não entrou para brincadeiras, veio com garra e com jeito corinthiano, fez bonito como toda a sua vida.

Lembro-me como se fosse ontem do primeiro gol do nosso camisa 9, foi contra o "arqui-inimigo" Palmeiras, em 2009. Um belo gol, que garantiu o empate (1x1) mas para nós, corinthianos, foi uma espécie de conquista de título. O Parque São Jorge entrou em festa, toda a nação corinthiana festejou. Até os torcedores de outros times admiraram o feito, afinal o brilho do futebol de Ronaldo é realmente admirável.

Em paralelo, para a tristeza dos amantes do esporte e para os corinthianos, temos o último gol da carreira de Ronaldo.
Ele se despediu dos gramados vestindo o manto preto e branco, em 13/11/10, pelo campeonato brasileiro e em um penâlti contra Cruzeiro, garantindo a vitória por 1 a 0.

É assim que termina a carreira de um dos grandes ídolos do futebol brasileiro, o maior artilheiro das copas e apelidado de fenômeno mundo afora.

Antes de ser fã do Ronaldo, eu sou corinthiana. Porém, sendo corinthiana virei fã do Ronaldo. Afinal ele nos trouxe 35 gols em 69 partidas, 2 maravilhosos títulos e uma certeza: uma vez fenômeno, para sempre fenômeno.


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Alguma coisa se perdeu. Mas o que?
Não sei, as coisas mudaram. Nada mais é igual.
Acho que algo se quebrou. Um coração talvez partiu, alguém o fez partir.
As caras apareceram, máscaras já não existem.
Tudo sempre muda.
As pessoas mudam junto, se quebram, se destroem, se matam.
Para que? Porque?
Ao sofrer sentiremos a mesma dor, ao morrer seremos a mesma coisa: matéria morta e espírito vivo.
Já somos a mesma coisa e formamos uma unicidade, não entendo porque quebrar isso. Para que criar falsas idéias, falsos amores e falsas amizades....alimentar o ego? Envaidecer o orgulho?
Só pode.

Aparentemente essencial.


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Festa, balada, curtição. Gente, amigos, família. Amor, amizade, alegria.
Vida!
Tudo se perdeu nessa imensidão de significados, nesse emaranhado de conceitos e moralismo. Agora o que basta é a palavra, mesmo jogada ao vento, nada importa, nada significa.
As pessoas continuam a sorrir, a se "unir", mas eu sei que tudo não passa da aparência. Não suporto quando alguém me fala para sorrir ou não brigar na frente de outras pessoas, tudo isso para quê? Só para manter as aparências? Qual é, tenho que sorrir para os hipócritas? Tenho que fingir que está tudo bem, quando na verdade tudo é uma grande palhaçada?
Desculpe, mas eu não faço mais isso. Cansei da hipocresia, da falsidade, da demagogia, das aparências, da falta de conteúdo.

2010 foi mais um ano onde quem venceu foi a "casca" e não o que tem dentro, o rostinho bonitinho lidera as emissoras de televisão do mesmo modo que lidera as relações pessoais. Ninguém, ou melhor, quase ninguém se importa com a verdade de cada um. Afinal, é muito mais fácil confiar na aparência do cidadão, se usa grife italiana ou roupa do Brás, se tem uma Bmw ou um fusquinha acabado. Pouco importa se a pessoa tem um bom coração ou é mais um ladrão vestindo Giorgio Armani.
Da mesma forma se dão as relações pessoais, o legal é ter "um milhão de amigos" mesmo que sejam indiferentes, do que alguns poucos bons e velhos amigos de verdade. Ahh, sem falar das relações afetivas tanto familiares quanto amorosas, tudo é aparentemente maravilhoso..o homem que trai a mulher e a mulher que trai o homem, o irmão que mata a irmã, os pais que matam os filhos e os filhos que matam os pais. Nada se respeita, ninguém se respeita!
Aí que eu me engano, ainda há alguma coisa que é respeitada: a aparência.
Tudo permanece na mais bela paz, tudo é aparentemente essencial.

Por isso eu desejo que nesse 2011 as pessoas mudem, porque os problemas do mundo só existem por causa delas. Não desejo felicidade, paz, amor, amizade, sucesso porque tudo isso é consequência das mudanças interiores de cada ser humano.
Desejo que em 2011 se inicie uma jornada em busca da essência de cada um e um encontro com os verdadeiros significados que envolvem as relações humanas.

Espero que nesse ano, as pessoas repensem a vida e passem a admirar a essência, antes daquilo que é, segundo a sociedade, aparentemente essencial.

Nostálgico.


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A brisa, o sol, a chuva, as estrelas, a música, o silêncio, tudo é nostálgico.
Não sei se é a época do ano ou o tédio me contaminando, mas tudo se torna nostalgia ao meu redor.
Vocês, eles e eu. Tudo. Todos.
Uma sensação estranha, que talvez eu não recomende. Afinal só se torna saudade aquilo que já passou, já acabou e não tem volta, certo?
Então significa que tudo acabou? Não! Não pode ter acabado!
Como algo termina sem eu notar, onde perdemos o rumo..ou melhor, onde eu perdi o rumo?
Não posso acreditar, não quero.
E espero que seja apenas o tédio corrompendo a minha mente, e apenas saudade de momentos que irão se repetir.


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Como se tudo fosse diferente, como se eu tivesse seguido outro caminho.
Como se hoje eu não fosse quem eu sou, como se eu fosse outra pessoa.
Como seria?

Talvez eu estivesse ao seu lado, ou não.
Talvez eu seria mais feliz, ou não.
Talvez eu não teria mais meus melhores amigos ao meu redor, ou ainda teria.
Talvez eu teria me tranformado em alguém melhor, ou alguém pior.

Talvez sim, talvez não.


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Antes de olhar para a sujeira nos umbigos alheios, olhe a imundice que se deposita em seu próprio umbigo.